AGÊNCIA BRASÍLIA

Coleta de lixo na porta de casa, asfalto e rede de esgoto são algumas das conquistas da RA.

No lugar de palmas, buzina. O bolo, tradicional em festas de aniversário, foi entregue pela janela do carro, sem aglomerações. Dessa forma, os moradores do Sol Nascente/ Pôr do Sol comemoraram o primeiro ano da 32ª Região Administrativa do Distrito Federal, criada em 14 de agosto de 2019, data em que o governador Ibaneis Rocha sancionou a lei que transformou a ocupação em cidade.

Logo cedo os moradores se reuniram no estacionamento da Fundação Bradesco, em Ceilândia, e saíram em carreata pelas ruas da cidade. Primeiro passaram pelo Pôr do Sol e depois pelo Sol Nascente. Pelo menos 50 carros de passeio, caminhonetes e caminhões participaram do comboio. Quem não seguia os veículos, fotografava das calçadas ou acenava da porta de casa. Nas janelas dos carros, várias faixas felicitavam a RA.

Comemoração em forma de carreata para evitar aglomerações | Foto: Acácio Pinheiro

No final do trajeto, motoristas e passageiros receberam um pedaço de bolo, doado pela própria comunidade. “Temos uma população com costumes diferentes. A maioria desse povo veio de cidades do interior do país. Gostam de andar na rua, se abraçar e festejar”, afirma o administrador do Sol Nascente/Pôr do Sol, José Goudim Carneiro. “Era para ser uma festa diferente, muito mais animada. Mas foi a maneira que encontramos de comemorar em época de pandemia. Não podíamos deixar a data passar em branco”, completa.

Motivos para comemorar não faltam. Praticamente todas as ruas no caminho da carreata estavam asfaltadas, bem diferente do cenário do local predominante no passado, com ruas de terra intransitáveis, cheias de lama, poeira e buracos. “Eu ainda não tenho asfalto na porta de casa.Mas já temos esgoto e a administração está sempre passando a máquina na rua”, conta a empresária Ivete Lima Bandeira, 48 anos, moradora do trecho 3 do Sol Nascente há 16 anos. “Muita coisa mudou.”

Acostumados a viver em uma invasão que já ostentou o título de 2ª maior favela do Brasil, os moradores hoje exibem, orgulhosos, na porta de casa, placas de endereço. As chácaras do Pôr do Sol viraram quadras do Setor Habitacional Pôr do Sol (SHPS). Os endereços no Sol Nascente também foram organizados por meio da sigla SHSN, Setor Habitacional Sol Nascente. Agora, as casas têm coleta de lixo na porta.

Bolo de aniversário pela janela do carro alegrou a manhã dos moradores | Foto: Acácio Pinheiro

Para José Goudim, os moradores ganharam dignidade com a criação da RA 32. “Esse povo aqui já sofreu demais. Por mais de 20 anos foram de certa forma largados, sem equipamentos públicos e nenhuma infraestrutura”, diz. “Moro aqui há 12 anos. A cidade mudou muito nesse ano e estamos muito felizes com as melhorias que estão chegando”, afirma Joseane da Silva Santos, 38 anos, também moradora do Sol Nascente.

Uma nova cidade

O ano de 2020 foi um ano de entregas para os cerca de 90 mil moradores da cidade. Entre elas, a Escola Classe JK, no Trecho 1 do Sol Nascente, para atender mais de 900 alunos dos ensinos infantil e fundamental. Ali, também teve melhorias nos arredores, com a construção de uma passarela para pedestres com estrutura metálica que dá acesso ao colégio.

Na habitação, foram distribuídas 400 chaves no Empreendimento Imobiliário Parque do Sol. Agora, as redes de esgoto estão em construção no Trecho 3 do Sol Nascente e em ampliação no Pôr do Sol. A chamada Rua do Forte deve começar a ser duplicada em breve e o projeto da Avenida do Sol que prevê a construção de uma avenida de aproximadamente 7,8 quilômetros que vai cruzar a cidade – está em andamento.

Além das obras de infraestrutura e dos serviços de manutenção da cidade, como limpeza e recolhimentos de lixo e entulho, pintura de meio-fios e reparos de buracos na rua, a RA também vai ganhar um Restaurante Comunitário, um terminal rodoviário e uma creche pública, que tem mais de 50% de conclusão.

Com informações da AGÊNCIA BRASÍLIA