Estudantes de engenharia elétrica na Universidade de Brasília (UnB) acabam de fazer história. Graças aos trabalhos e projetos desenvolvidos ao longo do ano de 2019, o grupo denominado Sociedade de Inteligência Computacional recebeu um dos mais importantes prêmios da área, entregue pelo Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), nos Estados Unidos.

Os alunos foram considerados o melhor grupo de estudantes do mundo ao longo de 2019. É a primeira vez que brasileiros vencem o prêmio mais alto da instituição, referência no desenvolvimento de tecnologia em áreas de engenharia. “Por promover inteligência computacional entre estudantes, indústria e a academia”, diz o e-mail que parabeniza pela conquista.

“Criamos esse grupo em 2018 pois vimos a importância que a inteligência artificial tinha nas empresas. Hoje a gente já tem mais de 20 membros trabalhando conosco”, conta Osmar Luiz de Carvalho, 23 anos, secretário geral do grupo.

Entre os projetos desenvolvidos está a estimativa em tempo real de espera nas filas de restaurantes, em conjunto com a Dubbox Tech. A rede Madero adotou a ideia. “O sistema envolve métodos estatísticos e de Machine Learning para fazer uma estimativa com base no número de pessoas dentro do estabelecimento e horário. As simulações se mostraram bastante promissoras e foram interrompidas por conta da pandemia da Covid-19. O próximo projeto com essa empresa será calcular um número ideal de carnes para descongelamento, a fim de evitar desperdícios”, diz Osmar.

A detecção de postagens no Twitter de caráter depressivo por meio de inteligência artificial também foi alvo de pesquisa. Apesar de automatizado, o processo passou por um longo trabalho braçal da equipe. “Nós analisamos tuítes de várias contas diferentes da plataforma, realizando uma curadoria manual para classificar depressivos e não depressivos, montando um banco de dados com uma proporção balanceada de ambos”, explica Isabel Giannecchini, 20, diretora de marketing do grupo.

Só após essa separação o software foi colocado para funcionar. Os resultados foram apresentados em conferência organizada pelo próprio grupo, que tenta estimular mais pesquisas nessa área. “A escolha do tema se deu após percebermos a importância da questão da saúde mental nos dias atuais, especialmente no ambiente acadêmico ao qual estamos inseridos”, comenta Isabel.

Outra programa, feito em parceria com o Laboratório de Sistemas de Informações Espaciais (LSIE) do Departamento de Geografia, é o monitoramento de imagens de satélite com diversas finalidades. “No mais recente trabalho, publicado em revista, o nosso objetivo foi identificar sistemas de pivôs centrais para a irrigação de plantações na região do cerrado brasileiro. Ao aumentar a precisão desses sistemas reduzimos o desperdício de água nessas plantações”, destaca Marcelo França, 24, diretor de projetos da Sociedade.

Além do reconhecimento, os estudantes receberão US$ 2 mil, o equivalente a cerca de R$ 10 mil na cotação atual. Conforme explica Pedro Henrique Ferreira, 22, presidente institucional do grupo, todo o dinheiro será revertido em melhorias estruturais.

“Nosso planejamento inicial é de investir a maior parte do dinheiro em máquinas (computadores e placas de vídeos) para ampliar nosso poder computacional e a nossa capacidade de atender projetos em simultâneo, enquanto o restante será investido em adaptações no nosso espaço físico, permitindo ampliar nossa quantidade de membros”, comenta Pedro Henrique, presidente institucional do grupo

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