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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018
ECONOMIA

Os veículos tradicionais continuarão perdidos?

Publicada em 10/08/18 às 07:07h - 189 visualizações

por Portal de Noticias - Blog do Carlindo Medeiros


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 (Foto: Portal de Noticias - Blog do Carlindo Medeiros)

“Precisamos lembrar do que era bom”. Jenna Rink, personagem do filme De Repente 30, de 2004, já enxergava a necessidade do resgate da essência do jornalismo antes mesmo da revolução digital.

Na comunicação social (publicidade, relações públicas e jornalismo), a adequação as mudanças foram lentas. Mas sem dúvida, o jornalismo foi o setor com mais resistência à nova realidade. E até hoje é assim. Inclusive, já publiquei um artigo sobre esse delay das assessorias de imprensa.

A razão do jornalismo é transmitir o que é de interesse coletivo: histórias reais, experiências verdadeiras, denúncias, notícias que fazem parte da vida das pessoas.

Esse propósito pode ser retomado quando os veículos reavaliam o sentido de sua existência. E se não repensarem nessas questões fundamentais, essas negligências se tornarão problemas e o futuro desses veículos estará comprometido. Como o recente caso da Editora Abril.

Se render aos algoritmos, ou seja, publicar tudo que dá “audiência” com conteúdo sensacionalista e manchete apelativa só para ter mais buscas ou cliques, não é uma opção.

If it bleeds, it leads.

É assim que as mídias tradicionais se perdem nessa era.

Débora, então os veículos tradicionais de comunicação estão fadados ao fracasso? Acredito (ou quero acreditar) que não. Mas algumas questões precisam ser revistas com urgência. Listei aqui 5 pontos:

1 - Coerência de conteúdo

Quer ver um dos principais indícios de que essas organizações não estão repensando seu propósito? Perceba a contradição dos conteúdos publicados. É difícil entender qual é o real objetivo das matérias, quais os valores do veículo e qual mensagem-chave está sendo transmitida.

Lembrando que essa percepção não diz respeito a minha opinião pessoal sobre as matérias, se concordo ou não com o conteúdo. A análise é sobre consistênciacoerência e semiótica. Em síntese, algumas dessas publicações passam mensagens contraditórias entre linguagem e imagem, o que gera confusão.

Vamos ver alguns exemplos do ponto de vista da significação:

Revista Isto É

Uma capa da revista Isto É listou os brasileiros do ano. A mesma capa tem uma chamada para uma matéria no canto superior esquerdo que diz "RACISMO RAIVOSO - Por que esse mal ainda resiste no Brasil". E aqui está a falta de coerência: notou que todos os eleitos pela revista são brancos? O público questiona: os veículos contribuem para este racismo raivoso no Brasil?

Revista Glamour

Hora a revista posta dicas para perder gordura incentivando um padrão, hora ela posta sobre o suicídio de uma menina de 11 anos por não estar nesses padrões:

Revista Boa forma (agora extinta)

A percepção do público é que a fala da apresentadora na capa não conversa com a foto. A estampa na camiseta com a frase "girls (r)evolution" gera uma questão por parte das leitoras: em tempos de busca pela aceitação, onde está a revolução?

O resultado dessa inadequação, na maioria dos casos, é uma reação do público. Todos percebem e ninguém deixa passar. Não era como antes, em que o leitor só poderia se comunicar com a mídia por meio de cartas e a "carta do leitor" era totalmente filtrada. Não existe mais filtro e se algum veículo deletar algum comentário, pode gerar uma crise de imagem ainda maior. O público é quem dita as regras.

2 - O modelo de negócio e o comportamento dos consumidores

Quantas pessoas você conhece que ainda compram revistas impressas? Onde você busca informação? Qual foi a última vez que você foi a uma banca comprar um jornal? Por muito tempo, as mídias tradicionais eram as donas das notícias.

Agora, com a internet na palma da mão, todos têm voz. Veículos independentes começaram a se consolidar, assim como os bloggers, instagramers e youtubersQualquer pessoa pode ser um criador de conteúdo gratuito e qualquer postagem pode ter uma resposta, uma reação ou um compartilhamento imediato.

As redes sociais têm o poder de aproximar as pessoas e levar informações velozmente. Por causa disso, comprar a mídia impressa talvez tenha se tornado pouco prático, caro, além de não proporcionar a interação imediata com os leitores.

Já o rádio, que chegou ao Brasil na década de 20 - até mesmo antes da televisão - buscou migrar para o digital, abraçando as novas mídias e adaptando-se de forma a não perder a sua essência. Essa percepção rápida fez com que o mercado radiofônico voltasse a ganhar força, uma vez que a internet possibilitou que programas de rádio fossem ouvidos de qualquer lugar do mundo, ou seja, amplificou sua audiência e garantiu sua sobrevivência.

Um exemplo de organização que tem buscado se remodelar é da Gazeta do Povo, principal jornal do Paraná, que encerrou sua versão impressa em junho de 2017 e conseguiu manter-se na versão online. Outra revista que percebeu essa mudança mais rápido ainda foi a Revista Capricho, consolidada há 60 anos no mercado, foi o primeiro título da Editora Abril e a primeira revista feminina do Brasil. Mesmo assim, encerrou sua versão impressa no começo de 2015 e, então, começou a investir em conteúdo para plataformas online, tal como o Youtube. O negócio é produzir conteúdo, não imprimir jornal.

 Veja mais neste post: 7 modelos de negócio que podem salvar o jornalismo.

3 - Veículos como selo de validação

Em tempos de fake news, uma saída é tornar-se um selo. Ou seja, por já ter credibilidade, esse veículos podem se tornar uma espécie de certificação de notícias, visto que eles já não são mais os donos delas. É muito fácil encontrar uma notícia falsa na internet, afinal, qualquer um pode publicar o que bem entender em suas redes sociais. As fontes midiáticas tradicionais, então, passariam a ser as responsáveis pela validação os fatos que mais uma vez resgata a essência do jornalismo. Comunicação com veracidade e responsabilidade. O jornalista é responsável pela apuração. Isso, com certeza, daria um papel importantíssimo aos veículos dentre tantas matérias publicadas nas redes sociais que não têm referências de fundamentação.

4 - Fortalecimento do branding pessoal dos jornalistas atuantes dentro dos veículos e fora deles

Assim como um veículo, uma pessoa também pode se tornar referência e conquistar a confiança do público. Enquanto grandes editoras insistem em modelos ultrapassados, os influenciadores digitais ganharam espaço ao mostrar a vida como ela é. Eles mesmos são a validação do seu conteúdo por meio da exposição daquilo que é real. Ou seja, eles conquistaram a reputação - não todos, como explico neste podcast.

Os jornalistas não devem se esconder atrás dos nomes das organizações onde trabalham. Eles podem (devem) desenvolver seu branding pessoal, sua marca própria. Ter seu blog, página no Medium, publicar artigos aqui no LinkedIn.

É o caso do jornalista Evaristo Costa, que, por meio do Instagram, se aproximou do seu público ao ponto de criar uma imagem tão sólida, que não está mais vinculada somente ao papel de jornalista e apresentador da rede Globo, mas tornou-se um nome de peso, que se sustenta por si só dentro ou fora deste canal.

Outro case é do apresentador da GloboNews, Ricardo Amorim, que se destaca especialmente no LinkedIn.

5 - Se a terceira pessoa afasta, a primeira aproxima

Essa é uma boa aposta. De novo, investir em conteúdos em primeira pessoa faz com que aquilo que é dito esteja muito mais próximo da realidade do leitor. É o caso das colunas, por exemplo, que ainda despertam o curiosidade do público pelo seu tom pessoal. Veja o exemplo dessa reportagem. Autoral e com responsabilidade de conteúdo. Acredito que os veículos poderiam explorar mais esse formato como uma saída (e ainda ajudar os jornalistas no branding pessoal, abordado no tópico anterior)...

Não sabemos de fato, onde tudo isso vai parar, mas é possível prever que o público não irá mais admitir a falta de coerência midiática. Não basta ter um nome, você precisa saber manter esse nome.

Se pudesse dar um conselho ao jornalismo (e para qualquer profissão), esse seria: esteja pronto para o futuro antes mesmo dele chegar.

Agora que já chegou, antes tarde do que nunca. É hora de refletir, mudar e agir.

P.S.: para quem está me conhecendo agora, tenho meu próprio veículo, o blog Tudo Orna - criado em 2010 junto com as minhas irmãs - no qual experimentamos diferentes modelos de negócio e hoje somos case na Exame.

Além de torcer para que grandes veículos se remodelam, precisamos apoiar as pequenas redações independentes que começam a surgir. Como a nossa. Essas também podem empregar jornalistas competentes que estão em busca do espaço.

Temos orgulho de ter profissionais jornalistas multipotenciais em nossa equipe. Que são empreendedores da sua carreira e que não esperam a mudança partir do mercado para desenvolver novas habilidades essenciais - ou correr atrás do prejuízo.

Trabalho há mais de 9 anos com comunicação digital e afirmo com propriedade que o jornalismo está em crise, mas a procura pela informação não. E enquanto à vida, à esperança. 

Com informações da rede social profissional www.linkedin.com/pulse/os-veículos-tradicionais-continuarão-perdidos-débora-alcântara/




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